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sábado, 3 de outubro de 2009

O rio

Havia um rio à minha beira.
Puro, era ele em criança. Podias olhar para ele e ver-lhe o fundo e os peixes que passavam de um lado para o outro.
Mas o tempo passou; os anos passaram, e com eles perdeu-se a pureza do rio. Primeiro, foi o fundo que ficou escuro, depois, foram os peixes que desapareceram.
Porque tinha escurecido o fundo? Porque tinham desaparecido os peixes? – perguntava-se.
Até o próprio rio tinha estagnado no seu leito. Tudo se mexia à sua volta, tudo mudava e modificava, menos ele.

Perguntei porque tinha o rio ficado assim.
Disseram-me que pouco a pouco as pessoas que por lá passavam, iam, com pedras pretas como breu, lançando a sua raiva para a água. Uma a uma, o rio foi-se enchendo de pedras e com elas, enquanto lentamente se foi pintava de preto, dia deixou de se mexer.
Disseram que ele até teve um nome (um nome diferente para todas as pessoas que com ele falavam) mas que com o tempo ele foi esquecido e nele se perdeu. Hoje, ninguém sabe como se chamou, nem o quão puro era quando nasceu.
Agora, tudo o que se vê nele é escuridão e um monte de pedras.
“Longe vão os dias onde ainda conseguia ver lá o meu rosto.” – Diziam.


Disseram que foi nesse dia que o rio morreu.

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