BLOGGER TEMPLATES AND TWITTER BACKGROUNDS »

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Uma luz brilhante

Foi num dia de Verão.
O sol estava forte e demasiado brilhante para os meus olhos. Levantei a mão e encostei-a aos olhos na tentativa de os tapar do sol, mas o brilho era muito, e de costas para a parede branca, fechei os olhos e comecei a sonhar.

Num sítio completamente escuro, pequenas gotas de imagens caiam à minha frente. Em nenhures caiam e rebentavam, mostrando-as, uma por uma: todas aquelas que viviam no meu coração, desde pequeno (lembrou-me até de pessoas que a minha mente tinha guardado há muitos, muitos anos).
O rebentar das gotas lembrava-me: elas um dia sorriram para mim; olharam para mim como eu olhava para elas. E uma atrás da outra, enchiam o meu coração de tristezas passadas transformadas em novas alegrias. Então, estendi a mão para as tocar, para lhes sentir a vida que me levaram bocado a bocado quando era um menino, um rapaz jovem e depois adulto.
A última gota trouxe-te até mim. Aquele teu olhar… eu já o tinha visto…
Gravou-se dentro de mim e como que uma dor apareceu em mim. Não sei muito bem descrevê-la, mas doía. Era uma dor de consciência que me magoava o coração: aquele teu olhar não era diferente do delas, pelo contrário, era exactamente igual. Iludi-me uma e outra vez com esse olhar. Quando ao início parecia que vos podia alcançar, o olhar que realmente me davam era de que não me viam. Não era para mim o vosso olhar… não era.
E assim como o teu olhar não era meu, também o delas nunca tinha sido e mais uma vez senti-me iludido e novamente magoado, pois todas as gotas caídas não tinham saído mais do que um abrir de feridas que me tinham custado a minha paz e a minha felicidade, feridas essas que nem lágrimas curaram.

Aquela luz forte e dolorosa… percebi que era para mim. Não havia maneira de lhe fugir. Era a verdade.




E a única coisa que sempre quis foi ser amado…