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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Há muito tempo atrás, eu.

Foi há muitos anos atrás…

Hoje é tudo muito diferente: vejo coisas na televisão que no meu tempo nunca apareceriam e toda a gente parece pensar que hoje tudo deve ser… bem, “tolerável” – é, hoje é tudo tolerado.Outros tempos… mais violentos. Mas secalhar é porque a idade é outra e as forças são menores. Realmente são! Antigamente até podia abusar, agora, mesmo coisas que nunca me incomodaram, chateiam-me e deixam-me mal disposta…

Eu vivo sozinha. Não casei – fiquei a tomar conta da minha família e o tempo não esperou por mim. Não é que me arrependa de nada… às vezes é que fico a pensar como seria se tivesse casado e talvez até ter tido filhos… eu com filhos meus! Ahhhh… até dá vontade se sorrir!
Mas olha, estou só com os meus problemas.Mas não pensem que estou acabada! Eu ainda faço a minha ginástica! Á, pois faço… uma vez por semana. E de certeza que isso é que me tem valido.

Só há uma coisa que me preocupa: quando eu e a minha irmã ficarmos doentes, quem é que vai ficar connosco? Não nos vais meter num lar, pois não?

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Olhar diferente I

Há breves momentos que têm tanto de insignificante como de especial e que por uma razão ou por vergonha ficam só para nós.
Eu tive alguns.
São aqueles segundos onde o que já vi vezes sem conta me parece tão diferente; pequenos momentos especiais onde há mais para ver do que havia e que nunca mais ir-se-á revelar novamente, nem da mesma maneira.
Eu vi uma nuvem outro dia e vi através dela. Vi um contorno e o seu interior de uma só vez... sabia-a talvez tal e qual como era.
Estava sozinha no céu e por isso mesmo ganhou uma dimensão nos meus olhos que não ganharia se estivesse acompanhada.
Ao olhar para ela só me apetecia ir lá para cima para junto dela e ficar ali deitado no meio do ar.
Assim simplesmente: quieto, cabeça inclinada para trás e sem ouvir um único ruído que fosse. Sentindo apenas o sol no meu corpo e enchendo os olhos com o azul do céu.
Mas essa imagem terminou quando olhei para baixo e via estrada e árvores por todo o lado - já nem me apetecia mais olhar em frente ou para o lado, mas foi quando...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Porquê... porque

Eu rezo.
Eu doou dinheiro.
É verdade. Porque é que o faço?
Porque tem um sentido para mim; faz-me feliz.
Sei que Deus quer que eu reze, por isso eu rezo. E isso faz-me sentir ligado a Ele e ainda me sinto bem com isso. Rezo todos os dias por todos os que conheço e os que não conheço, para me ajudar a mim e a eles, porque no fundo as minhas palavras chegam a Deus e toca-Lhe o coração. E isso é o que me importa!
Doou dinheiro há já alguns anos. Não sei há quanto tempo, nem quanto dinheiro já dei, porque isso nem é o que interessa. O que interessa é que com esse dinheiro alguém pode ter algo que não teria se eu não o tivesse doado. Isso é Bom não é?
O que me interessa é ser feliz - de uma maneira realmente pura e honesta - e que os outros também o sejam. É só isso.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

o que eu fiz

Antes tinha alguém. Abandonei-Te por medo de lhe dizer "não" - medo de me impor e de a perder.
Hoje, sem ninguém, renunciei-a por Ti - para nunca mais ter alguém.


Por estranho que possa parecer, e ao aperceber-me disto, sinto-me feliz com a troca que fiz, porque no fundo, o que é Bom é sempre bom!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A tua luz: fragmentada

Há algum tempo que me comecei a aperceber de ti.
Reparei no teu cabelo: no penteado, na cor, na maneira como lhe tocavas… simples. Vi-te naqueles pequenos gestos que fazias para teres o que querias, no andar elegante e natural do teu corpo. Mas mais que tudo foi o teu olhar que despertou a curiosidade em mim. Não era só os teus olhos que me mostravas. Olhar para ti, ou até ver-te a olhar para as coisas, e pessoas, era como te visse dos pés à cabeça, exactamente como eras: simples, bonita e com uma força tão grande que por muito triste que estivesse, bastaria apenas ter-te ao meu lado para que tudo isso desaparecesse.
És simplesmente de tirar o fôlego.

Só gostava que não estivesses fragmentada por várias raparigas, para que eu pudesse, um dia, dizer isto: “…soube melhor do que eu pensava que pudesse saber.” E sorrisse no fim!

sábado, 3 de outubro de 2009

O rio

Havia um rio à minha beira.
Puro, era ele em criança. Podias olhar para ele e ver-lhe o fundo e os peixes que passavam de um lado para o outro.
Mas o tempo passou; os anos passaram, e com eles perdeu-se a pureza do rio. Primeiro, foi o fundo que ficou escuro, depois, foram os peixes que desapareceram.
Porque tinha escurecido o fundo? Porque tinham desaparecido os peixes? – perguntava-se.
Até o próprio rio tinha estagnado no seu leito. Tudo se mexia à sua volta, tudo mudava e modificava, menos ele.

Perguntei porque tinha o rio ficado assim.
Disseram-me que pouco a pouco as pessoas que por lá passavam, iam, com pedras pretas como breu, lançando a sua raiva para a água. Uma a uma, o rio foi-se enchendo de pedras e com elas, enquanto lentamente se foi pintava de preto, dia deixou de se mexer.
Disseram que ele até teve um nome (um nome diferente para todas as pessoas que com ele falavam) mas que com o tempo ele foi esquecido e nele se perdeu. Hoje, ninguém sabe como se chamou, nem o quão puro era quando nasceu.
Agora, tudo o que se vê nele é escuridão e um monte de pedras.
“Longe vão os dias onde ainda conseguia ver lá o meu rosto.” – Diziam.


Disseram que foi nesse dia que o rio morreu.